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  • Gabriela Moreira

Experimento Trocando de roupa

Vou compartilhar com você nesse artigo uma lenda de um experimento que vivenciei recentemente na Jornada Transformação do Gremiling.



No dia 18/07, à noite, fiz a coisa mais insana na minha vida, até o presente momento. O desafio era parte da Jornada de Tranformação do Gremiling, amparado por Vera Franco, que venho participando. A proposta era: escolher uma caixa/personalidade completamente diferente da minha e entregar meu valor não material, o valor do meu ser através dessa caixa. Experenciar isso foi muito mais surpreendente do que eu imaginava.


Nesse experimento pude vivenciar em todos meus corpos a distinção: "eu tenho uma caixa, mas não sou minha caixa". A caixa é essa parte sua que tem regras, crenças, padrões, hábitos, opiniões, gostos. É a "personalidade", "identidade". No entanto, você é maior do que isso.


Meu time me deu a possibilidade de usar a caixa de uma mulher soberana, com muito dinheiro, poderosa, perigosa, uma caixa que é muito diferente da minha. A ação pra fazer com essa persona era sacar 300 reais, trocar em notas de 2, 5 e 10 reais, ir em um lugar público e jogar o dinheiro pra cima.


Quando ouvi essa propsta o medo começou instantaneamente a percorrer meu corpo e começou também pensamentos como "impossível, não vou fazer isso, vou fazer algo mais simples", ou então "estou juntando dinheiro pra viver viajar e fazer um treinamento, porque vou "jogar fora", do nada, 300 reais?", e por aí foi... os pensamentos para desistir e não fazer esse exercício ficavam cada vez mais fortes.


Na minha caixa há uma série de regras e condicionamentos relacionados a: escassez, aparecer e "chamar a atenção" e esse experimento me levou para a borda dessas 3 coisas ao mesmo tempo.


Em uma segunda-feira, dia 18/07, uma mulher incrível começou a me preparar para entrar nesse papel da mulher poderosa. Ela me maquiou e separou um look que quando coloquei não "me reconheci". Olhei no espelho e, uau, fiquei de fato bemm diferente da minha caixa. Percebi um grande medo de aparecer, de chamar a atenção, de ser vista.


O espaço público que escolhi jogar o dinheiro pra cima foi no terminal do centro de Florianópolis (TICEN). No caminho para essa aventura a eletricidade do medo começou a percorrer mais e mais meu corpo. Pé gelado, frio na barriga, coração batendo rápido, vida correndo pelas veias.


No trajeto, conversando com um amigo que foi pra me apoiar e filmar, comecei a buscar clareza e me perguntar qual era o real propósito de jogar 300 reais pra cima, o que meu ser poderia entregar de valor pra além de dinheiro?


Eu venho vivendo uma grande transformação sobre o tema dinheiro e escassez: de tempo, de recursos, de pessoas. Eu escolhi que meu propósito naquele momento era permitir que meu principio brilhante da aventura, da vivacidade e da diversão de alto nível fizesse uma rachadura na caixa, nas crenças das pessoas, para que algo diferente entrasse pelas frestas dessa apertada parede que comprime o ser. O propósito foi acender uma fagulha no coração daquelas pessoas que estavam voltando do trabalho cansadas, era plantar uma sementinha de questionamento sobre a vida e sobre o dinheiro.


Por isso decidi não apenas jogar o dinheiro pra cima, mas chamar as pessoas e dizer em voz alta. Fazer uma pergunta de pesquisa que já esteve muito viva pra mim que é: se dinheiro não fosse um problema, o que você faria? (e aqui conversando com Israel cheguei ao lugar de que ainda enxergo dinheiro como um problema), mas nessa situação ainda sentir de fazer com essa pergunta.


Quando cheguei no cenário da prova de fogo senti muito medo de como as pessoas iriam reagir a isso. Fomos caminhando pelos lugares naquele terminal e estava todo mundo andando rápido, com pressa pra pegar o ônibus. Pensei naquele momento que o experimento seria um fracasso.


Decidi sair do terminal onde tinha um fluxo maior de pessoas e fazer ali, com as pessoas passando mesmo. Comecei a falar o que estava vindo, entrei totalmente nessa caixa e ela me permitiu fazer algo que a minha caixa NUNCA, NUNQUINHA, conseguiria: Começar a gritar no meio da rua, questionar as pessoas sobre dinheiro e depois jogá-lo simplesmente pra cima e sair andando.



Enquanto eu falava, algumas poucas pessoas pararam, fiz perguntas, conversei com o ser delas. Quando joguei as várias notas pra cima, no primeiro momento, as pessoas ficaram chocadas e não fizeram nada. Depois de alguns segundos um homem tomou a iniciativa de ir lá pegar algumas notas e depois todo mundo correu e acabou em menos de 30 segundos.


Para mim foi muito interessante o que aconteceu depois disso. Experenciei 3 conversas extraordinárias com pessoas totalmente desconhecidas. Primeiro foi com uma moça, Clara. Ela venho até mim, com muita curiosidade, me perguntar o que estava por trás daquilo, compartilhei com ela o propósito e ela disse que aquilo que fiz inspirou muito ela. Ela disse: "essas perguntas que você fez mexeram muito comigo. Estou voltando do trabalho frustrada e cansada, percebi que eu caí de um mundo de fantasia de que um dia vou me livrar desse trabalho. Me dei conta de quase todo meu tempo hoje é dedicado a fazer dinheiro, isso me deixa muito decepcionada".


Depois dessa conversa com a Clara que tocou profundamente meu coração, um jovem se aproximou. O Matheus tinha acabado de sair de uma aula da faculdade de administração, ele começou a compartilhar comigo os sonhos que ele tem e que está adiando porque "tem que se tornar alguém na vida primeiro"; ele disse que aquilo despertou uma chama nele de viver a vida com mais aventura e riscos.


E por fim, depois já dentro do ônibus, voltando pra casa, um senhor que estava sentado do meu lado me chamou pra conversar e começou a agradecer por eu ter feito aquilo naquele dia. Ele conseguiu pegar 50 reais do que tinha caído no chão, ele disse "estava precisando muito daquele dinheiro hoje pra comer, estava pedindo a Deus para que eu não terminasse meu dia em fome".


Uau, isso tudo quebrou meu coração. Senti muita tristeza de perceber como enxergo dinheiro como um problema e como de fato ele é um problema pra muitas pessoas hoje. Ver como pessoas passam fome porque não tem em mãos um papel que chamamos de dinheiro, sendo que Gaia é tão abundante e generosa. Ver pessoas vendendo seu tempo para algo que suga suas vidas. Ver um jovem com tanta vida acreditando que precisa ser alguém na vida para assim poder viver seus sonhos. Senti muita tristeza do sistema econômico que construímos pra nós mesmos e que escolhemos nutrir dia após dia e que está nos aniquilando.


Senti raiva em perceber o quanto o patriarcado está intrínseco na forma como penso sobre o poder, sobre abundância e sobre dinheiro. Senti muita alegria de ter feito esse experimento e ter permitido meu ser trazer meus princípios brilhantes de forma tão autentica, completamente diferente e divertida. Senti muito medo de como as pessoas reagiriam, de ser vista como "a menina branca rica que tá esbanjando e jogando dinheiro pra cima só porque tem uma vida boa". Senti muita raiva de ver caras mexendo comigo só porque estava sozinha no ônibus (sendo que enquanto estava com um homem do meu lado, na ida, nada acontecia).


Percebi que tenho várias histórias sobre o que significa o poder, o dinheiro, que me desempoderam, que me limitam de expressar o meu ser e o meu propósito no mundo.


Eu tenho uma caixa, não sou ela. Por isso posso estar sempre a expandi-la, transformá-la, para criar mais espaços para as possibilidades infinitas da vida.


O que hoje você está deixando de fazer por causa da sua caixa? Compartilhar aqui nos comentários do Blog, vai ser um prazer trocar contigo.


PS: Esse experimento foi matéria-prima para a escrita de um dos artigos que mais amei escrever, sinto que venho de algo maior do que eu, recomendo!


Com Amor e Aventura,

Navegadora da Complexidade Gabriela

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