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  • Gabriela Moreira

Se desistir não é uma opção, então você vive uma prisão

Atualizado: 18 de jun. de 2022

Quantas vezes já se viu fazendo algo que não fazia mais sentido? Quantas vezes permaneceu ou foi em um lugar só porque “disse” que estaria lá? Quantas vezes passou horas, dias, semanas ou talvez anos fazendo algo só porque começou a fazer? Quantas vezes continuou com uma história sobre si mesma ou sobre o mundo que já não fazia mais sentido? Quantas vezes permaneceu fazendo um trabalho que te transforma em um zumbi? Quantas vezes você transformou sua vida de água para concreto?




Se desistir não é uma opção, então, de fato, você está em uma prisão. Não interessa o contexto, a situação, a pessoa, seja qual for, você sempre tem dentre seu leque de possibilidades, a opção de desistir, de mudar de ideia, de reconsiderar. Esse mito da estabilidade, da constância é só mais uma estratégia desse sistema patriarcal de castrar a vida, de castrar a conexão com o presente. Se temos esse constructo mental de que não podemos desistir, então, continuamos como ratos na roda do ramster fazendo algo que não queremos porque não “podemos desistir”. Lá permanecemos, nos anestesiando da vida e esperando a morte.

Mudar de ideia não significa que você está abandonando seus princípios, que está dessorando ou quebrando um compromisso. Significa que você está aprendendo algo, que está se transformando. A marca da integridade é a honestidade e não a consistência.

Você pode mudar de ideia sobre tudo, até mesmo as coisas que seus pais, seus amigos, seu parceiro não gostariam de você. Você pode, por exemplo, mudar de ideia sobre ser escravo dessa cultura Patriarcal e começar a se tornar sua própria Autoridade, ou mudar de ideia sobre comer frutas em vez de pão pela manhã, ou mudar de ideia sobre fazer uma faculdade, ou mudar de ideia sobre estar em um relacionamento.

Pode ser que você tenha construído ao longo da sua vida uma série de histórias sobre isso, como: “Eu não posso desistir, se eu escolhi isso então tenho que ir até o fim, é vida ou morte.” “Desistir é pros fracos.” “Desistir é voltar pra trás, eu só ando pra frente.” Essas são crenças que estão enraizadas de forma tão, tão profunda em nosso inconsciente coletivo que muitas vezes nem nos damos conta quando esses pensamentos nos sequestram na calada da noite. Essas histórias estão nos filmes de super-heróis, nas novelas, nas músicas, na escola, na família, em todo lugar. (Essas eram algumas das histórias que acreditava fielmente até pouco tempo atrás e ainda me pego nelas em várias situações).

Mudar de ideia por nenhuma razão específica, apenas porque você escolheu fazer isso, é uma maneira poderosa de transforma sua vida. Quando comecei a experimentar esse super poder me senti como um pássaro que se liberta da gaiola.

Mudar de ideia sobre ter um diploma, por exemplo. Eu estava fazendo um curso que não era lá dos meus sonhos, mas era na faculdade dos meus sonhos, pelo menos. No 4° período comecei a sentir que tinha outras coisas me chamando, coisas pelas quais meu coração estava pulsando muito forte. Comecei a sentir um impulso de seguir e me jogar por inteiro nisso que estava sendo chamada, nesse projeto que estava trabalhando, nas outras coisas que estava estudando fora da universidade. Muitas pessoas diziam: “Aguenta firme, você já tá na metade do curso, o que custa finalizar ele, você já começou mesmo.” “É assim mesmo, faculdade tem muita coisa que você não vai concordar, tem essas matérias que são um porre, tem essas coisas que não fazem sentido, mas a vida é assim mesmo, aguenta firme, logo acaba.” “Depois que tiver o diploma você pode ter mais facilidade em arrumar um trabalho. Pelo menos você vai ter um diploma.”

Qual o custo de passar mais dois anos fazendo algo que tenho clareza que não faz sentido pra mim hoje? Custa minha vitalidade, custa minha presença, custa meu encantamento em estar viva, custa o quanto eu teria que me anestesiar para “aguentar” coisas que não queria. Custa a chama que arde em meu coração. Custa minha liberdade, minha autenticidade. E eu não estava disponível a pagar esse custo.

Essa foi uma situação na minha vida em que a opção de mudar de ideia era um Camaleão. Se camuflava e estava quase invisível dentre as possibilidade que estavam no meu radar: mudar de curso, mudar de faculdade, mudar para uma universidade no exterior, fazer intercâmbio. Dentre todas essas opções, abandonar o plano que tinha feito a 2 anos não estava posta na minha mesa. Eu estava cega com essa história de que não podia mudar de ideia, “tenho que ir até o fim”.

Algo totalmente diferente do que você tem em mente para fazer agora é possível. Uma decisão totalmente diferente das que você tem na mesa agora é possível. Como o camaleão que muda de verde folha para amarelo sol para sinalizar a adversários que estão “prontos para a briga”, o mudar de ideia sinaliza pra vida que estás pronta para viver e não sobreviver.

Estamos desconectados do nosso sentir, caminhando pela vida totalmente entorpecidos. Não temos acesso em nossos corações a tristeza pura para ouvi-la dizer que é o momento de encerrar ciclos, de mudar de rota. Não temos acesso em nossos ossos, a raiva para destruir a história, o conceito, o plano, a razão, a decisão que foi tomada antes, e assim, escolhermos e declararmos o que queremos fazer ou ser no PEQUENO AQUI E AGORA. Continuamos anestesiados e obcecados em finalizar, em dar o check, em dizer: eu completei. Eu finalizei. Parabéns, qual o próximo passo?

Segurar-se em não mudar de ideia é fingir estar em algum lugar onde você não está. É como carregar uma mentira e viver a vida de outra pessoa.

Pode ser que pra essa situação que você esteja vivendo agora, você não veja saída, você diga: não, mas pra isso não tem como eu mudar de ideia, eu assinei um contrato, eu já paguei 200.000 reais, eu já comprei a passagem, eu já estou casada a 10 anos, eu já estou quase no fim do curso. Nossa mente é mestre em encontrar justificativas para continuar alimentar essas velhas histórias.

Mudar de ideia não é sobre fugir. É sobre sentir o que você realmente precisa agora, com clareza, usando seus sentimentos, seu medo, sua raiva, sua tristeza e sua alegria, e levar em consideração que dentre as infinitas possibilidades de decisões, desistir está dentre elas. Somos seres humanos, em metamorfose, em constante transformação e não tem nada mais natural do que mudar de rota.

O que você precisa fazer para “desistir” do que não faz mais sentido? O que precisa ser curado para que o mudar de rota seja apenas mais uma variante da sua vida?

Segue abaixo uma possibilidade de experimento se quer ultrapassar os limites do seu corpo intelectual.

EXPERIMENTO

  1. Pegue uma folha em branco. Peça para uma pessoa ler as perguntas abaixo para você e cronometrar 1 minuto para cada uma. Você vai deixar que sua mão simplesmente escreva, não permita sua mente escrever.

  • O que você está fazendo? Quais são seus compromissos de hoje?

  • Por que você se compromete a fazer o que está fazendo?

  • Você se comprometeu com essas coisas a partir da sua autoridade e do seu centro ou a partir de outra pessoa?

  • Você está cumprindo a vida de alguém em vez da sua? Você ainda quer fazer isso?

  • Por que você continua fazendo isso? Ter essa ideia, esse conceito, essa história? Qual é o propósito?

  • O que você está evitando reconhecer?

2. Depois disso escolha a principal coisa que apareceu nas repostas dessas perguntas e que você quer mudar de ideia. “O que estou com raiva por não ter mudado de ideia.”

3. Pegue uma toalha e comece a torcer, deixe sua raiva crescer no seu corpo.

4. Comece a dizer: “Estou com raiva, porque continuo…!”

5. Depois começo a dizer frases que começam com “Estou mudando de ideia agora, paro…” e “Estou parando/tomando uma posição/falando/dizendo…

Por exemplo: “Estou mudando de ideia agora, paro de ser adaptável e dizer sim para tudo e todos! Estou agindo a partir do meu centro e do meu próprio poder” “Deixo de ser uma vítima das minhas circunstâncias. Estou me defendendo e tomo responsabilidade pela minha vida!…” “Não vou participar/acompanhar esta viagem/evento/convite! Mudo de ideia agora!…”


Com amor e raiva, Gabriela



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